Candidatos ao Senado por Santa Catarina no estúdio da NSC TV — Foto: Patrick Rodrigues/NSC

A NSC TV realizou nesta sexta-feira (25) debate com candidatos ao Senado por Santa Catarina. O encontro, na sede da emissora em Florianópolis, encerrou somente na madrugada deste sábado (26) e foi marcado por confrontos diretos, críticas a adversários ausentes e discussões de propostas de temas como combate à corrupção e ao crime organizado, economia e infraestrutura.
Participaram os candidatos: Afrânio Boppré (PSOL), Décio Lima (PT), Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD) e Lunelli (MDB). Foram convidados os sete candidatos cujos partidos, chapas e coligações têm representação no Congresso Nacional, de, no mínimo, cinco parlamentares, conforme legislação eleitoral.
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A equipe de campanha de Carol de Toni (PL) assinou as regras e confirmou a participação, mas há poucas horas do debate informou que estava cumprindo agenda fora da capital e não justificou ausência dentro do prazo acordado. Carlos Bolsonaro (PL) não respondeu ao convite.
O debate mediado pelo jornalista Raphael Faraco foi dividido em três blocos, com duas rodadas de perguntas de tema livre entre candidatos e outras duas rodadas com temas determinados por sorteio. Ao final, cada político teve 1 minuto para as considerações finais.
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Bloco 1
A primeira parte foi marcada por uma rodada de perguntas entre candidatos com temas livres. Os candidatos presentes criticaram as ausências dos candidatos Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, ambos do PL. Também discutiram combate à corrupção, citando o escândalo do Banco Master e as investigações de descontos indevidos a valores de aposentados do INSS.
Nos temas livres, Jeferson Rocha começou questionando Esperidião Amin sobre a ausência em debates do candidato Carlos Bolsonaro (PL), apontado o fato de ele não ser natural de Santa Catarina. Amin respondeu que "quem foge do debate, foge do eleitor".
Amin debateu com Jeferson Rocha sobre o voto de Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, pelo não afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos casos relacionados ao Banco Master em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Décio Lima questionou Lunelli sobre o Banco Master. Ele respondeu que desaprova o caso e defendeu a prisão de todos os envolvidos nas irregularidades investigadas.
Lunelli perguntou a Afrânio Boppré sobre o que é necessário mudar para prevenir tragédias climáticas em Santa Catarina. Ele respondeu que a questão é grave e defendeu o conceito de "cidade esponja".
Afrânio Boppré comentou com Décio Lima sobre uma possível seletividade ao apontar a ausência de Carlos Bolsonaro nos debates, mas omitir a de Caroline de Toni. Décio admitiu que a visão deve ser ampla. Na sequência, Afrânio fez questão de ressaltar que tem diferenças políticas com Carlos Bolsonaro.
No mesmo bloco, houve uma nova rodada, desta vez com temas determinados por sorteio. Os temas sorteados foram: segurança pública, emendas para SC, crime organizado, orçamento secreto e corrupção.
Décio Lima perguntou a Jeferson Rocha sobre a proposta de criar um sistema único de segurança pública para combate às organizações criminosas. Rocha concordou, porém, defendeu que facções devam ser enquadradas como organizações terroristas.
Afrânio Boppré questionou Esperidião Amin sobre formas de encontrar recursos para Santa Catarina sem usar emendas, que, segundo ele, “viraram um escândalo”. Amin responde que é favorável às emendas individuais e de bancada que representam os estados e que não tem conhecimento sobre emendas no estado que consideradas corruptas.
Ao ser questionado por Lunelli sobre propostas combater ao crime organizado, Afrânio Boppré defendeu a aprovação da PEC da Segurança e a criação de um Sistema Único de Segurança Pública. Lunelli replicou que a solução exige o fortalecimento das polícias, prisão de lideranças e o enquadramento das facções criminosas como grupos terroristas.
Amin pergunta a Décio Lima o que ele acha do chamado orçamento secreto e cita que o assunto tem sido alvo de decisões do STF. Décio respondeu que, se eleito, vai debater o tema, mas cabe ao Poder Executivo definir a destinação dos recursos.
Jeferson Rocha perguntou a Lunelli quais seriam suas ações de combate à corrupção no país. Respondeu que a situação atual é "vergonhosa" e defendeu que quem coloca a mão no dinheiro público precisa ser preso e banido permanentemente da vida política.
Bloco 2
O segundo bloco teve uma rodada de perguntas com temas livres. Os candidatos iniciaram com discussões propositivas, com temas sobre infraestrutura das rodovias federais, fim da escala 6x1, oferta de remédios no SUS. Ao final, houve discussão sobre fim das bets e novamente sobre o envolvimento de políticos no escândalo do Banco Master.
Lunelli debate com Jeferson Rocha sobre as condições e infraestrutura das rodovias federais. Rocha defende uma revisão tributária para que recursos oriundos de impostos permaneçam no estado em maior quantidade e não sejam enviados ao Governo Federal.
Décio Lima pergunta a Esperidião Amin sobre o fim da escala 6x1. Amin responde que considera o debate importante e afirma que a mudança precisa ser acompanhada de um plano de investimentos e de apoio tecnológico.
Jeferson Rocha questionou Décio Lima sobre como o Senado pode atuar diante da falta de remédios na lista do Sistema Único de Saúde (SUS). Em resposta, Décio defendeu o aumento de investimentos na área e a ampliação da rede de atenção básica.
Afrânio Boppré pergunta a Lunelli sobre o fim das bets, anunciado nesta sexta-feira (26). Lunelli diz ser contra, apontando o endividamento da população, e também defende uma mudança cultural e cita um suposto descontrole da economia, com inflação que, segundo ele, afeta os trabalhadores.
A última pergunta do bloco foi marcada por uma discussão acalorada entre Esperidião Amin e Afrânio Boppré. O candidato do PSOL foi pressionado a se posicionar sobre um eventual processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em resposta, Afrânio afirmou que não tem "rabo preso" com ninguém e contra-atacou mencionando o escândalo do Banco Master, que envolveu Ciro Nogueira — presidente do PP, mesmo partido de Amin. Afrânio acusou o adversário de "passar pano" e defendeu a apuração rigorosa de todas as denúncias. Na réplica, Amin rebateu as declarações classificando-as como "levianas", disse que Afrânio tentava se esquivar do tema e exigiu que o candidato parasse de apontar o dedo para ele, insistindo na pergunta sobre o impeachment. Afrânio, por sua vez, respondeu que Amin não tinha autoridade moral para lhe dar ordens.
Bloco 3
O terceiro bloco começou com uma rodada com temas determinados por sorteio. Os assuntos sorteados foram: escala 6x1, maioridade penal, políticas para população em situação de rua, recursos para infraestrutura e violência contra a mulher.
Lunelli e Jeferson Rocha debateram se o Brasil está preparado para o fim da escala 6x1. Ambos concordaram com o impacto na economia e que setores econômicos importantes de Santa Catarina serão diretamente prejudicados com redução na jornada de trabalho.
Esperidião Amin e Décio Lima debateram sobre a redução da maioridade penal. Amin cita sua própria opinião de que devem ser consideradas as circunstâncias e a gravidade do crime, e não apenas a idade do autor. Décio responde que é necessário ampliar as medidas socioeducativas para criar um processo de reinserção na sociedade que considere a punição, mas também a recuperação de jovens que, segundo ele, começam a ser “contaminados pelo ambiente do crime”.
Perguntado por Jeferson Rocha sobre a internação compulsória de pessoas em situação de rua, Afrânio Boppré lembrou que o procedimento exige respaldo médico e criticou abordagens truculentas por parte das prefeituras. Jeferson rebateu apontando que 85% dos brasileiros estão endividados e que a vulnerabilidade nas ruas também decorre da crise econômica. Na tréplica, Afrânio defendeu que a solução passa pelo investimento em políticas públicas estruturantes.
Afrânio Boppré e Lunelli discutem sobre recursos para infraestrutura. Afrânio cita que Santa Catarina tem uma série de obras em andamento, mas afirma que o governador do estado “virou as costas” para o governo federal. Lunelli responde que jamais viraria as costas para o presidente, mas argumenta que o estado é prejudicado atualmente em relação ao retorno dos recursos enviados à União. Segundo Lunelli, é necessário reformular o pacto federativo.
Décio Lima perguntou ao candidato Esperidião Amin como ele vê a questão da violência contra as mulheres em Santa Catarina. Em resposta, Amin afirmou que o estado vive um quadro grave no cenário nacional e classificou a situação como uma epidemia. O candidato lembrou ainda que criou a primeira delegacia de proteção à mulher em 1984. Décio apontou que Santa Catarina não conta com delegacias especializadas com atendimento 24 horas.
*Esta reportagem está em atualização.
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